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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

China é o maior consumidor de madeira do mundo, aponta ONG



Relatório publicado nesta quinta-feira (29) pela Agência de Investigação Ambiental, organização não governamental do Reino Unido, aponta que a China é o pais que mais importa, exporta e consome madeira do mundo, além de ser o principal responsável pela destruição das florestas tropicais.

De acordo com o documento, enquanto na última década os Estados Unidos e a União Europeia tomaram medidas contra o desmatamento ilegal, a China passou a comprar quantidades crescentes de madeira de origem duvidosa.

“Entre 80% e 90% das árvores derrubadas em Moçambique (na África) têm como destino final a China”, afirmou Julian Newman, diretora da ONG britânica. Ela disse ainda que 44% do volume importado é destinado para empresas públicas. Segundo o relatório, a demanda interna do país é o principal fator de alta das importações de madeira.

Além disso, a ONG aponta que atividades ilegais de extração madeireira estão se movendo para diversas regiões do mundo, como Madagascar, Serra Leoa, Tanzânia, Gabão, Guiné Equatorial e Congo. Mais da metade das importações chinesas são provenientes de países como Birmânia, Papua Nova Guiné e Moçambique.

Em setembro deste ano, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Interpol divulgaram que até 90% da exploração madeireira realizada nas florestas tropicais do planeta são feitas pelo crime organizado.

As organizações afirmam que grupos criminosos estariam utilizando táticas para movimentar a cadeia madeireira e descrevem 30 formas engenhosas aplicadas para aquisição e "lavagem" de madeira ilegal.

Métodos primários incluem falsificação de licenças de corte, subornos para obter licenças, além de invasão ilegal de sites do governo para obter registro de concessões ou alterar licenças ambientais.

Por conta disto, foi criado um projeto piloto, financiado pelo governo da Noruega, para desenvolver um sistema internacional de combate ao crime organizado. São vários objetivos, mas entre os principais estão o fortalecimento das investigações nacionais e a centralização da concessão de licenças ambientais, o que facilitaria a transparência.

Além disso, haveria a classificação das regiões geográficas consideradas críticas, com o intuito de restringir o fluxo de madeira e outros produtos, além de incentivar investigações de fraude fiscal, com foco em plantações e usinas.

Fonte: G1

Casa da Moeda é multada por despejo de resíduos sem tratamento



A Casa da Moeda do Brasil (CMB) foi multada em R$ 860 mil por danos ao meio ambiente. De acordo com o Instituto Estadual do Meio Ambiente, a CMB fez despejos de resíduos sem tratamento no Canal de São Francisco, descumprindo termo de licenciamento ambiental. O canal passa pelo Parque Industrial de Santa Cruz, bairro da zona oeste da capital fluminense.

A Casa da Moeda informou, por meio de nota, que está providenciando um novo sistema de tratamento que atenda ao crescimento da produção da fábrica. “O processo já foi licitado, com contrato assinado, e a previsão para a conclusão das obras e a operação do sistema é no primeiro semestre de 2013”. A CMB disse ainda que contratou, em caráter emergencial, uma empresa para tratar os efluentes e adequá-los à legislação vigente até o funcionamento do novo sistema.

Para a presidenta do Inea, Marilene Ramos, as medidas adotadas pela Casa da Moeda funcionam como atenuante, mas não evitam a aplicação da multa. “Essas medidas não descaracterizam o dano ambiental que eles provocaram. O que poderá ser feito, é que eles podem propor um termo de ajustamento de conduta, onde parte desse valor seja convertido em serviços ambientais," disse.

O Inea informou que a CMB ainda pode entrar com um pedido de impugnação para reconsiderar o valor da multa. Mas se for indeferido, terá que quitá-la no prazo de 15 dias.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Guaraná Antarctica lança primeira PET 100% reciclada



O Guaraná Antarctica lançou neste mês a primeira embalagem PET 100% reciclada da marca. A tecnologia empregada na fabricação da nova garrafa permite que qualquer outra embalagem PET, independente de cor, formato ou fabricante, se transforme em uma garrafa do refrigerante. A inovação retira do meio ambiente um equivalente a 30m³ de material descartado em aterro sanitário para cada cinco toneladas de PET reciclada.

A iniciativa está alinhada ao Ambev Recicla, que reúne um conjunto de iniciativas para promover o aumento da reciclagem do país, a redução de uso de matéria prima e a educação dos consumidores. O plano é expandir a ação, chegando a 20% de embalagens de 2 litros de Guaraná Antarctica até o final de 2013. Hoje, ela já está presente em 12% delas, o equivalente a mais de 28 milhões de garrafas ou 56 milhões de litros da bebida. Até o final de 2012, esse número deve subir para 40 milhões de garrafas. 

Fonte: Administradores.com

Ação premia projetos de empreendedorismo sustentável



Empresas, pessoas físicas e integrantes da comunidade acadêmica que tenham bons projetos na área de empreendedorismo sustentável podem inscrevê-los na sexta edição do Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável*.

Promovida pelo Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE) da FGV, a iniciativa reconhecerá as melhores ações, relacionadas à sustentabilidade, em quatro categorias:
- Empreendedorismo Econômico;
- Empreendedorismo Ambiental;
- Empreendedorismo Educacional e
- Empreendedorismo Social.

Os interessados em participar podem se inscrever no site do prêmio até 16/12. Os projetos serão julgados por uma banca avaliadora, que anunciará os vencedores em cerimônia de premiação que acontece em fevereiro de 2013. Além de troféu, os ganhadores levarão para casa certificado que atesta a contribuição de suas iniciativas para o desenvolvimento sustentável da sociedade.

*Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável 

Fonte: Planeta Sustentável

Desmatamento deixa de ser aos poucos o vilão das emissões



Em 2012, o desmatamento deve dar adeus ao título de maior vilão das emissões de gases efeito estufa no Brasil. Na sequência, os setores de energia e agricultura se tornarão as principais fontes emissoras dos gases que contribuem para o aquecimento global.

É o que aponta um estudo preliminar e independente que o engenheiro florestal e consultor para florestas e clima do Ministério do Meio Ambiente Tasso Azevedo vai levar para a COP-18, em Doha, no Catar.

Os dados são de impressionar, a começar pela redução estimada das emissões totais: uma queda de incríveis 35% entre 2005 e 2011, isso durante um período em que as emissões aumentaram 9% em todo o mundo.

A queda do desmatamento foi de longe o fator que mais contribuiu para o país alcançar a taxa de fazer inveja. “Com esses números, estamos bem abaixo da meta de redução para 2020”, disse Azevedo à EXAME.com poucas horas antes de embarcar rumo à COP-18 nesta quarta. “O desafio agora é manter as taxas de desmatamento baixas e passar a combater outras fontes de emissões”.

Novos vilões, velhos problemas

De mãos dadas com os números otimistas, o estudo revela um dado perturbador. Deixando o desmatamento de fora dos cálculos, as emissões totais do Brasil, acredite, subiram no período analisado, puxadas pelas agricultura e o setor de energia, que inclui transportes.

Ao invés de cairem 35%, elas aumentaram 18%. “Ou seja, crescemos mais que a média global, de 9%”, destaca o especialista. Para se ter uma ideia, o estudo estima que, entre 2005 e 2011, a emissões do setor de energia cresceram 33%, as da agricultura, 6,7%, e as da indústria 16% - ao passo que as emissões do desmatamento caíram impressionantes 64%.

Os vilões das emissões têm nova cara. Em 2005, dois terços das emissões eram explicadas pelo desmatamento e em 2011 caiu para pouco mais de um terço. Já energia e agricultura passaram a responder por cerca de 56% das emissões. “O consumo de combustível pelo setor de transporte aumentou muito, assim como o uso de carvão mineral e as emissões da produção do petróleo”, explica.

E agora?

Na opinião do especialista, o momento é de buscar eficiência energética, tanto no setor de transporte como nas indústrias. Na prática, precisamos produzir mais, gerando menos emissões.

O estudo mostra que a quantidade de dólares em PIB gerada para cada tonelada emitida cresceu de forma significativa passando de pouco mais de US$ 200 por tCO2e (tonelada equivalente de CO2) em 2004 para quase US$ 1600/tCO2e em 2011.

“Isto quer dizer que estamos aumentando nossa eficiência econômica em relação as emissões, ou seja, geramos mais PIB por unidade de carbono emitida”, diz Azevedo. “Mas para a meta de redução ideal, precisamos gerar US$ 20 mil/tCO2e”, conclui.

Sem isso, o Brasil corre o risco de entrar novamente em uma saia-justa ambiental. Conforme o estudo, o crescimento das emissões nos setores de energia, agricultura, processos industriais e tratamento de resíduos devem levar ao crescimento das emissões nos próximos anos, devendo se aproximar ao valor da meta para 2020.

Fonte: Revista Exame

Empresa recicla plástico velho e o transforma em petróleo



Uma reciclagem inédita que converte plástico velho em petróleo de excelente qualidade foi apresentada por uma empresa americana presente no Salão do Meio Ambiente, Pollutec, realizado em Lyon, na França).

A técnica da Agilyx, empresa criada em Oregon, no oeste dos Estados Unidos, há apenas seis anos permite tratar qualquer plástico, inclusive o mais velho ou o mais sujo.

"O que nos interessa não são os plásticos que são reciclados hoje em dia, mas os plásticos que ninguém quer e que costumam acabar no lixo", explica à AFP Jon Angin, vice-presidente da empresa, que foi ao salão de Lyon.

Este plástico, primeiro triturado, é colocado em um grande "cartucho", aquecido para se transformar em gás, e depois volta a ser esfriado na água. O petróleo resultante é separado ao emergir à superfície.

No fim, mais de 75% do peso original é transformado em petróleo cru, pronto para ser refinado, assim como o petróleo recém-extraído. O resto da matéria fica dividida em gás e em resíduo final.

Esta proporção significa que 10 toneladas de plástico -- a produção mundial foi em 2011 de 280 milhões de toneladas -- fornecem cerca de 50 barris de petróleo, segundo a empresa, que informa, no entanto, que o equivalente a 10 barris de energia foram utilizados no processo industrial.

"Produzimos assim cinco unidades de energia para cada unidade consumida", resume Angin.
Esta tecnologia parece ter convencido vários no setor. A empresa tem apenas 60 funcionários, mas já atraiu para seu capital o líder americano dos resíduos Waste Management e o gigante petroleiro francês Total.

E não é preciso que o barril de petróleo esteja a US$ 200 para que esta tecnologia tenha saída. "Com a cotação atual do petróleo [em média, a US$ 100 o barril], a Agilyx já é rentável", ressalta François Badoual, diretor da Total Energy Ventures, filial de investimentos do grupo francês, que entrou no capital do americano no fim de 2010.

Angin prefere não falar muito do preço mínimo do barril necessário para que a empresa seja viável. "Estamos muito tranquilos, o preço do petróleo não vai cair abaixo deste nível", assegura.

Em relação ao petróleo produzido, não deve nada em termos de qualidade ao que é extraído no mundo. O plástico já é um produto do petróleo refinado, e não tem muitas impurezas.

"É um petróleo de boa qualidade que poderíamos classificar de leve, muitas vezes buscado pelas refinarias", confirma Badoual.

A Agilyx viu vários competidores emergirem, como o britânico Cymar ou o americano Vadxx Energy, embora eles ainda não produzam.

Fonte: G1

Madeireiros ilegais desafiam combate ao desmatamento na Amazônia



O desmatamento na Amazônia brasileira chegou a sua menor taxa desde 1988, em parte graças ao melhor monitoramento de atividades irregulares. No entanto, apesar da implementação de medidas mais duras, madeireiros ilegais ainda conseguem extrair madeira da selva e vendê-la como se fosse legal, apontam moradores locais.

O jovem fazendeiro Fábio Lourenço de Souza mora em um assentamento conhecido como PDS Esperança, no vale do Xingu, no Pará. Apesar de viver em uma região rica em madeira tropical, ele, bem como a maioria das 300 famílias do assentamento, tenta manter distância de madeireiros.

"Não faz sentido para nós começar a extrair a madeira de nosso assentamento", diz Fábio, que interrompeu a construção de uma nova casa de madeira para conversar com a BBC. "As empresas madeireiras não nos pagariam o suficiente, e isso destruiria a floresta. E precisamos dela para o futuro de nossas crianças".

Ele prefere dedicar-se ao plantio de cacau.

Subornos e ameaças

Durante anos, os moradores do PDS Esperança levantam preocupações quanto ao roubo de madeira de sua terra. Eles dizem que a prática é rotineira e que os madeireiros falsificam documentos para fazer parecer que a madeira foi extraída legalmente.

Para que a extração seja legal, é preciso que o dono da terra faça um inventário de suas espécies de madeira e peçam autorização do governo para explorá-las, dentro de um limite. A autorização prevê também que, após a retirada da madeira, a área seja reflorestada.

Mas madeireiros ilegais obtêm autorizações por meio de subornos e ameaças a donos de terras. Depois, os madeireiros usam essas autorizações para encobrir a extração ilegal feita em outras áreas.

Procurado pela BBC, o governo brasileiro se recusou a comentar a respeito dessa prática.

Assentamentos vigiados

Anos atrás, preocupados com o extrativismo ilegal, os moradores do PDS Esperança bloquearam a entrada de seu assentamento, para evitar a entrada de madeireiros.

Após sete meses de tensões, conseguiram convencer o Incra, que distribui e organiza os assentamentos, a construir guaritas para que o PDS Esperança pudesse ser vigiado e a pagar por vigias privados.

A guarita ainda está de pé, e ajuda a explicar por que a vida é relativamente tranquila no PDS Esperança, apesar de alguns moradores ainda receberem ameaças de morte de madeireiros.

A tensão é maior em outro assentamento, o PDS Virola-Jatobá, onde a maioria das 180 famílias tenta impedir que extrativistas ilegais continuem a roubar sua madeira.

Eles fazem rodízio durante as 24 horas do dia para guardar a entrada do local.

No final de setembro, uma família descobriu que os madeireiros haviam construído em segredo uma trilha para os fundos de sua terra, para que pudessem escoar a madeira cortada por um afluente do rio Amazonas. No dia seguinte, um pequeno grupo de assentados, acompanhado por funcionários do Incra, acompanharam à distância o som das motosserras até flagrarem a atuação dos madeireiros.

Um dos assentados, que prefere não se identificar, admite ter sentido medo. "Não sabíamos o que esperar. Tínhamos medo de que houvesse guardas armados protegendo [os madeireiros]".

Mas não estavam, e aceitaram interromper a extração de madeira. Os dois lados acabaram jantando juntos.

Ameaças

Ao mesmo tempo, autoridades brasileiras estão capacitando alguns assentados para que eles façam a extração de madeira dentro da lei, mas, por conta disso, passam a sofrer ameaças dos extrativistas ilegais.

Urará, uma cidade de 50 mil habitantes na região da Transamazônica, é uma típica cidade de fronteira, sem água corrente, esgoto ou aeroporto -- exceto as pequenas pistas clandestinas, que muitos dizem ser usadas para o tráfico de drogas.

A cidade tem em abundância, porém, empresas madeireiras, principais motores de sua economia.
Quando escurece, caminhões sem placas chegam a áreas repletas de madeira que, segundo os moradores, são extraídas ilegalmente.

Na manhã seguinte, saem emplacados e carregados com madeiras identificadas, conforme a lei. Essa madeira poderá ser vendida no mercado doméstico ou exportada.

Conflitos de terra

Os assentamentos de Esperança e Virola-Jatobá foram criados pela freira americana Dorothy Stang -- morta em 2005 por atiradores que agiam em nome de proprietários de terra da região -- como uma forma de reagir à ocupação da floresta feita pelos madeireiros.

Os locais têm forte ênfase na conservação da Amazônia -- os assentados podem cultivar suas terras, mas não vendê-las.

Tanto o Esperança quanto o Virola-Jatobá se mostraram bem-sucedidos, mas -- considerando que eles não foram totalmente endossados pelo governo brasileiro -- seu modelo não foi replicado na região, como queria Dorothy Stang.

As disputas de terra que resultaram em sua morte permanecem vivas.

Em 2009, uma placa de homenagem foi pregada a uma árvore próxima de onde a irmã Dorothy foi assassinada. Logo a placa foi cravada com balas de revólver. A mensagem é clara: fazendeiros que resistem à extração ilegal de madeira estão correndo riscos.

Fonte: G1

Temperaturas em 2012 devem bater recordes, afirma relatório



O ano de 2012 deve ser um dos mais quentes da história. Dados da Organização Meteorológica Mundial, da ONU, indicaram que o período entre janeiro e outubro deste ano foi o nono mais quente desde que as medições foram iniciadas, em 1850. 

As temperaturas se elevaram mesmo com a ocorrência, no início do ano, do fenômeno meteorológico La Niña, que favorece o resfriamento. 

Com a dissipação do La Niña, em abril, os termômetros deram um salto. A temperatura entre maio e outubro foi a quarta mais alta já registrada para esse período. 

De acordo com o relatório, divulgado ontem durante a COP 18, conferência do clima da ONU que acontece agora em Doha (Qatar), 2012 está sendo marcado por eventos climáticos extremos. 

CONSEQUÊNCIAS
 
O documento destaca as altas temperaturas na América do Norte, Europa e parte da África, além das secas que castigaram boa parte do globo, inclusive a região Nordeste do Brasil. 

O degelo recorde no Ártico também recebeu destaque. 

No dia 16 de setembro, a cobertura chegou à menor quantidade já registrada desde que a medição por satélite começou: 3,41 milhões de quilômetros quadrados. 

O furacão Sandy, que atingiu o Caribe e a Costa Oeste dos EUA, bem como, mais uma vez, a existência de intensa temporada de tempestades tropicais, também foram destacados pelo grupo. 

Os EUA, aliás, caminham para o que deve ser o ano mais quente já registrado. Seu vizinho, o Canadá, deve ter a terceira maior média histórica anual. 

De uma maneira geral, a temperatura média no planeta ficou 0,45°C mais quente do que o que a de 1961 a 1990. 

"As mudanças climáticas estão acontecendo diante dos nossos olhos e vão continuar a atuar como resultado da concentração dos gases-estufa na atmosfera, que tem aumentado constantemente e vai atingir, mais uma vez, novos recordes", comentou em nota Michel Jarraud, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial. 

Fonte: Folha

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Primeira parte de estrutura que vai cobrir reator de Chernobyl é concluída



Trabalhadores concluíram nesta terça-feira (27) a primeira parte de uma estrutura que vai cobrir o reator nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. A usina sofreu uma explosão em 1986, na então União Soviética, e este é considerado o pior acidente nuclear da história.

A cobertura do reator será como um grande galpão e o teto terá o formato de um arco. A construção terá 257 metros de comprimento, 150 metros de largura e cerca de 50 metros de altura.

O arco que já foi construído até o momento levou sete meses para ser construído e tem 22 metros de altura. Nos próximos anos, novas camadas serão construídas para evitar que o material radioativo possa voltar a vazar do local. O prazo para a entrega da obra é o fim de 2015.

O projeto está orçado em 1,54 bilhão de euros (R$ 4,15 bilhões) e ainda tem desafios importantes pela frente. Um deles é a antiga chaminé da usina, que terá que ser destruída de uma maneira que não libere material radioativo. Outra preocupação é o solo, já que é preciso fazer os fundamentos da cobertura, e a área a ser escavada pode conter resíduos nucleares.

O presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, que lidera o projeto, se mostra otimista. Para Suma Chakrabati, a camada concluída nesta terça é “um marco muito significativo, o que é um tributo ao crescente comprometimento da comunidade internacional de doadores e um passo importante em direção a superar o legado do acidente”.

O abrigo, no entanto, não vai representar o fim da ameaça de Chernobyl. Ele é projetado para bloquear todo o material nuclear que ainda pode vazar do local, mas não será capaz de impedir a passagem da radiação em si.

Pelo menos 28 morreram diretamente pelo contato com a radiação em 1986. Outros milhares sofreram de câncer em consequência do vazamento de material radioativo, e 115 mil pessoas tiveram que ser evacuadas. Ainda hoje, uma área no raio de 30 km do local segue inabitada.

Primeira parte do galpão que cobrirá antiga usina de Chernobyl está pronta (Foto: AP Photo/Efrem Lukatsky) 
 

Fonte: G1

INPE estima 4.656 km2 desmatados na Amazônia em 2012

A estimativa da taxa anual do desmatamento medida pelo PRODES, o Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aponta que foram desmatados 4.656 km2 no período de agosto de 2011 a julho de 2012. É a menor taxa desde que o INPE começou a medi-la, em 1988.

Os novos dados do desmatamento foram apresentados pelo diretor do INPE, Leonel Perondi, e pelo coordenador do Programa Amazônia, Dalton Valeriano, durante evento realizado no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, na manhã desta terça-feira (27/11).
Confira aqui a apresentação dos dados do PRODES 2012.

A taxa estimada em 2012 indica uma redução de 27% em relação ao período anterior, em que foram medidos 6.418 km2. A tabela abaixo apresenta a distribuição da taxa de desmatamento nos estados que compõem a Amazônia Legal.


O PRODES registra como desmatamento as áreas superiores a 6,25 hectares que tenham sofrido o corte raso, que é a remoção completa da cobertura florestal.

A taxa de 2012 foi calculada a partir do mapeamento das imagens do satélite inglês DMC-UK2 e do sensor LISS-3 do satélite indiano ResourceSat-1. Para gerar esta primeira estimativa, o INPE analisou imagens nas regiões onde foram registrados aproximadamente 90% do desmatamento no período anterior (agosto/2010 a julho/2011) e que também cobriram os 43 municípios prioritários (de acordo com o Decreto Federal 6.321/2007, atualizado em 2009), conforme mostra a figura abaixo.



Círculos mostram região mapeada pelo PRODES em 2012 sobrepostos aos municípios prioritários
Os gráficos e tabelas abaixo apresentam a série temporal do PRODES para a Amazônia Legal e por Estados da região.



(a) Média entre 1977 e 1988, (b) Média entre 1993 e 1994 e (d) estimativa



(a) Média entre 1977 e 1988,  (b) Média entre 1993 e 1994 e (d) estimativa

Cursos em espanhol sobre recursos hídricos recebem inscrições



Três cursos totalmente em espanhol e gratuitos estão com inscrições abertas até 7 de dezembro. São eles: Hidrologia Básica, Qualidade da Água em Reservatórios e Gestão Territorial para Recursos Hídricos com Software Livre de Código Aberto. As capacitações são oferecidas pelo projeto Água – Conhecimento para Gestão, que é um convênio entre a Agência Nacional de Águas (ANA), a Fundação Parque Tecnológico Itaipu – Brasil e a Itaipu Binacional.

Os três cursos serão realizados pela internet, no site do projeto (www.aguaegestao.com.br), pelo método de ensino a distância (EaD). As atividades irão de janeiro a março de 2013. Os alunos que cumprirem o curso receberão certificado. Mais informações podem ser obtidas através do e-mail duvidas.agua@aguaegestao.com.br.

Detalhes dos cursos

Hidrologia Básica

Público-alvo: agentes gestores
Objetivo: capacitar profissionais para o entendimento e a aplicação de técnicas de hidrologia básica, contemplando fundamentos teóricos e práticos, em situações que condizem com as necessidades da gestão de recursos hídricos
Carga horária: 40h a distância
Realização das aulas: 14 de janeiro a 3 de março de 2013
Divulgação dos alunos selecionados: 8 de janeiro de 2013
Mais informações e o formulário de inscrição: http://www.aguaegestao.com.br/es/cursos/hidrología-básica

Gestão Territorial para Recursos Hídricos com Software Livre de Código Aberto

Público-alvo: Membros de comitês de bacias e agentes gestores
Objetivo: Ampliar o conhecimento sobre a utilização de software livre para georreferenciamento e difundir a utilização de uma ferramenta mais acessível.
Carga horária: 40h EaD
Realização das aulas: 14 de janeiro a 10 de março de 2013
Divulgação dos alunos selecionados: 8 de janeiro de 2013
Mais informações e o formulário de inscrição: http://www.aguaegestao.com.br/es/cursos/gestión-territorial-para-recursos-hídricos-con-software-libre-de-código-abierto

Qualidade da Água em Reservatórios

Público-alvo: Agentes gestores e usuários
Objetivo: Suministrar maior compreensão sobre a qualidade da água em reservatórios para aperfeiçoar a tomada de decisões
Carga horária: 40h a distância
Realização das aulas: 14 de janeiro a 3 de março de 2013
Mais informações e o formulário de inscrição: http://www.aguaegestao.com.br/es/cursos/calidad-de-agua-en-embalses
Divulgação dos alunos selecionados: 8 de janeiro de 2013

O Projeto

O projeto Água – Conhecimento para Gestão tem o objetivo de desenvolver ações de comunicação, difusão, mobilização social, capacitação e educação para a gestão de recursos hídricos no Brasil e demais países da América Latina. São 24 cursos de capacitação complementar, além de ferramentas de educomunicação que atingirão 300 mil pessoas até julho de 2014.


Fonte: ANA

Taxa de desmatamento da Amazônia é a menor já registrada



A derrubada ilegal de árvores na Amazônia Legal atingiu a menor taxa anual de desmatamento desde que a região começou a ser monitorada pelo governo, em 1988. De acordo com os dados divulgados hoje (26) pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a expansão da área desmatada caiu de 6,4 mil quilômetros quadrados para 4,6 mil quilômetros quadrados por ano.

Os resultados se referem ao período de agosto de 2011 a julho deste ano comparado aos 12 meses anteriores. “É a menor taxa de desmatamento da história. Tem o grande marco que é jogar o desmatamento abaixo dos 5 mil quilômetros quadrados”, comemorou a ministra.

“Ouso dizer que esta é a única boa noticia ambiental que o planeta teve este ano do ponto de vista de mudanças do clima. Em relação aos compromissos de metas voluntárias de redução de emissões estamos bastante avançados”, acrescentou.

A meta voluntária definida pelo governo brasileiro é reduzir a expansão anual da área de desmatamento ilegal da Amazônia para 3,9 mil quilômetros quadrados até 2020. Com o novo índice, fica falando apenas redução de 4% para que a área ambiental atinja a meta, oito anos antes do prazo.

A redução da área registrada por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) representa queda de 27% da área degradada por madeireiros ilegais, na comparação com o mesmo período anterior. O intervalo desses 12 meses é consolidado anualmente no Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), do Inpe.

Os dados mostram que o desmatamento aumentou apenas em três estados. Em Tocantins, a derrubada ilegal de árvores aumentou 33%, chegando a 53 quilômetros quadrados por ano. No Amazonas, a degradação aumentou 29%, chegando a 646 quilômetros quadrados e, no Acre, a ação dos infratores avançou 10% na região, atingindo 308 quilômetros quadrados.

De acordo com a ministra, embora não tenham sido identificadas todas as causas da elevação do desmatamento nesses estados, no Tocantins o problema está associado ao Cerrado Amazônico, que permite reserva legal de 35%. “Como os estados ainda não tornam disponíveis as informações do que é legal e do que é ilegal, não conseguimos identificar quanto do aumento desse desmatamento está associado a incremento de infraestrutura e de supressões legais”, informou.

No Amazonas, segundo Izabella Teixeira, ainda existe forte pressão de migração em torno da BR-317, na região de Apuí, onde existem denúncias de grilagem de terra. Conforme a ministra, a região está sendo monitorada. Com relação ao Acre, disse que não há informações.

“Possivelmente, trata-se de expansão urbana ou incremento de ocupação de território. Estamos perguntando ao governo do estado o que está sendo autorizado e o que os autos de infração do Ibama mostram, o que não tem licença ou que está com atividade ilegal. Por exemplo, [o agricultor] tem autorização para suprimir 10 hectares e suprimiu 30 hectares”.

O estado do Pará continua sendo o mais atingido pelos criminosos. A área de desmatamento ilegal no estado é a maior da região, chegando a quase 1,7 mil quilômetros quadrados. Ainda assim, na comparação entre os períodos de 12 meses, o desmatamento foi reduzido em 44%.

No período monitorado pelo Prodes, os fiscais do Ibama apreenderam 329 caminhões, 95 tratores, 143 outros veículos e 111 motosserras, além de mais de 130 mil metros cúbicos de madeira e 12 mil metros cúbicos de carvão. As operações de combate e prevenção ao desmatamento na região também resultaram na emissão de 3,4 mil autos de infração, somando o valor de R$ 1,6 bilhão.

A arrecadação de multas é um dos pontos mais frágeis das ações de fiscalização. Por ainda haver limitações tecnológicas, detalhes como erro nas coordenadas que apontam o local flagrado pelos fiscais fazem com que algumas multas sejam suspensas. Os infratores usam os erros nas infrações como manobra para anular a cobrança.

Segundo Izabella Teixeira, a partir do ano que vem, a fiscalização será feita eletronicamente. Ao apresentar um novo aparelho que será utilizado pelos agentes ambientais, a ministra destacou que as operações ambientais vão entrar em um novo patamar a partir do ano que vem.

“À medida que reduzimos o desmatamento, o desafio cresce. A partir de 2013, as ações serão marcadas por uma nova visão de operar tecnologia e planejamento estratégico e inteligência do monitoramento da Amazônia. Os modelos estão sendo revistos e nosso objetivo é acabar com a ilegalidade do desmatamento na Amazônia”, disse.

O novo projeto, que vai garantir precisão aos dados, custou R$ 15 milhões aos cofres públicos. As equipes de fiscais ainda estão sendo capacitadas para usar os aparelhos eletrônicos de infração e, segundo Izabella Teixeira, a partir de janeiro do ano que vem todas as equipes federais distribuídas no país terão um aparelho com tecnologia similar à de um celular, ligado diretamente a um banco de dados.

Fonte: Agência Brasil

Cerca de 85% dos brasileiros separariam o lixo caso serviço de coleta seletiva estivesse disponível, aponta Ibope



A maioria (85%) dos brasileiros que ainda não conta com coleta seletiva estaria disposta a separar o lixo em suas casas, caso o serviço fosse oferecido nos municípios, aponta pesquisa divulgada hoje (28) pelo Programa Água Brasil. Apenas 13% dos entrevistados declararam que não fariam a separação dos resíduos e 2% não sabem ou não responderam. O estudo, encomendado ao Ibope, entrevistou 2.002 pessoas em todas capitais e mais 73 municípios, em novembro do ano passado.

Apesar da disposição em contribuir para a destinação adequada dos resíduos sólidos, o percentual dos que não têm meios para o descarte sustentável chega a 64% dos entrevistados. A quantidade de pessoas que contam com coleta seletiva ou que têm algum local para deixar o material separado representa 35% da amostra.

Em relação aos produtos que costumam ser separados nessas casas, as latas de alumínios ficam em primeiro lugar, com 75%, seguidas pelos plásticos (68%), papéis e papelões (62%) e vidros (55%). Os eletrônicos, por outro lado, são separados por apenas 10% dos entrevistados. Cerca de 9% dos entrevistados não separam nenhum material mesmo que o serviço de coleta seletiva esteja implantado na sua região.

Dos que contam com o serviço de coleta seletiva, metade (50%) dos casos tem a prefeitura como responsável pelo trabalho. Catadores de rua (26%), cooperativas (12%) e local de entrega (9%) aparecem em seguida dentre os meios de coleta disponíveis.

O estudo aponta também que a proposta de uma tarifa relaciona ao lixo divide opiniões. A ideia de que quem produz mais resíduos deve pagar uma quantia maior é aprovada completamente por 13% dos entrevistados, 23% concordam parcialmente. Os que discordam completamente a respeito do pagamento da taxa somam 36%. Há ainda os que não concordam, nem discordam (16%) e os que discordam em parte, com 10%.

Na hora de consumir, práticas sustentáveis ainda são deixadas de lado. Preço, condições de pagamento, durabilidade do produto e marca lideram as preocupações do consumidor brasileiro. O valor do produto, por exemplo, é considerado um aspecto fundamental por 70% dos entrevistados. Características do produto ligadas à sustentabilidade, no entanto, como os meios utilizados na produção, o tempo que o produto leva para desaparecer na natureza e o fato de a embalagem ser reciclável, ficam em segundo plano.

Os entrevistados responderam ainda quais produtos devem ser menos usados em suas casas nos próximos três anos. O campeão foi a sacola plástica. O produto é comprado com frequência em 80% das residências, mas 34% dos entrevistados esperam reduzir o consumo. Em seguida aparecem os copos descartáveis (31%), bandejas de isopor (22%) e garrafas PET (21%). No fim da lista, entre os que devem permanecer com alto percentual de consumo, estão os produtos de limpeza perfumados. Apenas 9% estimam que irão reduzir o uso desses materiais.

O Programa Água Brasil é uma iniciativa do Banco do Brasil, da Fundação Banco do Brasil, da Agência Nacional de Águas (ANA) e da organização não governamental WWF-Brasil, com intuito de fomentar práticas sustentáveis no campo e na cidade.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O protocolo de Kyoto fez diferença nas emissões de carbono?



Sob o Protocolo de Kyoto – assinado em dezembro de 1997 --, a maioria dos países desenvolvidos, exceção aos EUA, comprometeram-se com metas de redução das suas emissões dos principais gases de efeito estufa. As metas variaram entre as nações. Algumas foram autorizadas a aumentar as suas emissões em uma determinada quantidade, outros foram obrigados a fazer cortes significativos. O objetivo era atingir um corte médio de cerca de 5% em relação aos níveis de 1990 com prazo para ser atingido até 2012 (ou mais precisamente 2008-2012).
De forma geral, há mais sucessos do que fracassos e a soma das emissões de países com metas de Kyoto caíram significativamente. Nesse meio tempo, no entanto, as emissões no resto do mundo aumentaram drasticamente - especialmente na China e em outras economias emergentes, como o gráfico a seguir deixa claro.

Isso denigre o sucesso das nações com metas de Quioto, porque grande parte do crescimento na China e outras economias emergentes tem sido impulsionado pela produção de bens e serviços exportados para países desenvolvidos. De acordo com um estudo que eu divulguei no ano passado, quando você olha para a pegada de carbono total de cada nação (incluindo importações e excluindo exportações), os progressos alcançados pelo Protocolo de Kyoto são extremamente pobres, com as reduções de apenas 1% obtidas pela Europa entre 1990 a 2008, e com um aumento de 7% se considerados todos os países desenvolvidos.

Ao fim, o resultado é que as emissões globais não mostraram nenhum sinal de desaceleração. Nesse sentido, o protocolo de Kyoto foi um fracasso. Entretanto, sem dúvida, foi um primeiro passo importante na diplomacia do clima global. A questão é se um segundo passo mais ambicioso chegará a tempo de evitar riscos inaceitáveis de mudanças climáticas devastadoras.

Fonte: Oeco

Manejo florestal afeta avifauna Amazônica



Nos últimos anos, a Amazônia apresentou as maiores taxas de desflorestamento tropical no mundo. Nesse contexto, a situação da avifauna foi analisada pelo biólogo Miguel Ángel Quimbayo Cardona, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da USP. Ele comprovou que existem diferenças significativas de riqueza de espécies de aves entre as áreas de manejo florestal e entre dois períodos de amostragem em seu estudo.

O manejo florestal é composto por diretrizes que servem para reduzir os danos e facilitar a regeneração e integridade da Amazônia Brasileira. No estudo de doutorado Efeitos do manejo florestal na estrutura da avifauna na floresta Amazônica de Paragominas (Pará), o biólogo avaliou o manejo e mudanças na estrutura da avifauna na floresta Amazônica de Paragominas, no Pará. Foram registradas 235 espécies de aves nas áreas de manejo florestal. “As informações coletadas mostram que a resposta da comunidade de aves a esses fatores de modificação da estrutura foi imediata”, diz o pesquisador.

Cardona afirma que a área de manejo florestal com maior riqueza de espécies e abundância de grupos funcionais foi a área explorada em 2000, contraste evidenciado com a área não explorada, que teve a menor riqueza e abundâncias de grupos funcionais. “Esta área parece ter essa característica em acolher as espécies devido ao fato de não ter muitos limites com outras áreas de exploração e limita ao sul com a floresta matriz, que envolve a área de manejo florestal Rio Capim, tendo mais capacidade de suporte para as espécies afetadas pelas atividades de manejo florestal”, explica.

O trabalho mostrou que as espécies do interior da floresta, que requerem cavidades de árvores para ninho, e os grupos funcionais insetívoros, insetívoros de sub-bosque e nectarívoros-insetívoros de sub-bosque foram os mais afetados pelo manejo florestal, especialmente na área não explorada que teve atividades de pré-exploração e a área explorada em 2003 que foi afetada por distúrbios naturais antes da amostragem de campo.

“A resposta a esse distúrbio natural por parte da comunidade de aves na área explorada em 2003 foi similar à área não explorada. Ou seja, o comportamento da avifauna tem um padrão semelhante quando acontecem fatores de modificação antrópicos ou distúrbios naturais”, conclui.

O estudo, orientado pela professora Teresa Cristina Magro, do Departamento de Ciências Florestais (LCF), avaliou a comunidade, a riqueza e a abundância de espécies e de grupos funcionais de aves na Amazônia. Mediante observações diretas e identificações auditivas em pontos fixos, foi amostrada a avifauna em seis áreas de manejo florestal, sendo cinco exploradas em diferentes anos, 1997, 2000, 2003, 2006 e 2009, e uma não explorada. As amostragens de campo foram desenvolvidas nas temporadas de seca e chuva.

Degradação do meio ambiente  

Cardona explica que a degradação da floresta se dá por várias razões, como a atividade pecuária, a extração de madeira, os incêndios e os efeitos da fragmentação e da formação de bordas. “Historicamente, as explorações madeireiras foram desenvolvidas com técnicas convencionais, que geralmente produzem danos tanto na floresta quanto no solo”, afirma.

Segundo o pesquisador, a heterogeneidade do hábitat e a diversidade estrutural são os fatores mais importantes que determinam a riqueza de espécies em florestas nativas. “Quanto maior for o nível de extração de madeira, mais significativas serão as mudanças apresentadas pela estrutura da floresta e, consequentemente, maior o impacto da exploração sobre a avifauna”, explica.

Segundo o pesquisador, a degradação do hábitat, a interrupção do deslocamento dos animais e das interações ecológicas entre os organismos são impactos diretos da exploração madeireira sobre a fauna silvestre, que depende da floresta. Por isso, durante os últimos cem anos, para avaliar detalhadamente os efeitos da exploração madeireira e das interferências antropogênicas no ambiente, pesquisadores têm observado a avifauna.

“Devido a sua taxonomia bem estabelecida, que faz com que a maioria das espécies possa ser identificada facilmente em campo, a disponibilidade de informação biológica e ecológica de grande parte das espécies e a sensibilidade às mudanças específicas na estrutura da floresta, no microclima e na composição, as aves apresentam-se como um instrumento importante nesse processo”, avalia.

Fonte: Revista Exame

Derretimento de solo pode liberar dobro de carbono no ar



O permafrost, solo permanentemente congelado que cobre quase um quarto do Hemisfério Norte, está derretendo por causa do aquecimento global e seu desaparecimento pode piorar ainda mais a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. É o que mostra um relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

De acordo com o trabalho, todo o permafrost, que se estende por países como Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, contém, na forma de matéria orgânica congelada, 1.700 gigatoneladas de carbono, duas vezes mais do que existe atualmente na atmosfera. Sua liberação pode amplificar significativamente o aquecimento global já esperado.

De acordo com Kevin Schaefer, da Universidade do Colorado, e coordenador do estudo, o que pode ocorrer é um movimento que ele chamou de "permafrost carbon feedback". "E uma vez que ele seja iniciado, será irreversível. É impossível colocar a matéria orgânica de volta ao permafrost."
Atualmente, a camada de gelo, que chega a ter mais de dois metros de espessura, já vem apresentando uma diminuição de tamanho. O derretimento, além do impacto à atmosfera, pode afetar os ecossistemas assim como a infraestrutura construída sobre o gelo.

O anúncio foi feito em meio à realização da 18ª Conferência do Clima da ONU, no Catar (Doha), onde mais de 190 países discutem como vão lidar com as mudanças climáticas. Schaefer lembrou que as previsões de aumento da concentração de gases e de temperatura até o final do século apresentadas no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, e levadas em conta nas negociações da ONU, ainda não consideram as estimativas do carbono que pode ser liberado pelo permafrost.

"Pedimos aqui para que isso seja considerado porque qualquer meta de redução de emissões pode ser muito baixa", afirmou o pesquisador. Segundo ele, até 2100, 39% das emissões podem vir do derretimento do permafrost. Presente ao evento, Jean-Pascal Van Ypersele, do IPCC, disse que essas emissões já estarão contabilizadas nos cenários futuros no relatório que começa a ser divulgado em setembro do ano que vem.

Fonte: Revista Exame

Ibama fiscaliza empresas de refrigeração



Nos últimos dias, sete empresas do ramo de refrigeração foram notificadas por agentes da Superintendência do Ibama no Distrito Federal no intuito de atualizarem informações no Cadastro Técnico Federal (CTF) sobre o recolhimento e a destinação de substâncias destruidoras da camada de ozônio (SDO).

A ação de controle dessas substâncias no CTF é feita pela Diretoria de Qualidade Ambiental (DIQUA), que demandou a ação de fiscalização, visando ao cumprimento das diretrizes do Protocolo de Montreal, que determina sua eliminação.

As empresas têm quinze dias para atualizar dados no CTF e declarar as quantidades recolhidas e destinadas de SDO bem como informar quanto a seu licenciamento ambiental pelo órgão estadual responsável, sob pena de sofrerem autuações no caso de continuidade das pendências.

Acrescente-se que as empresas usuárias de substâncias controladas pelo Protocolo de Montreal devem manter seus dados atualizados no CTF, propiciando o correto controle por parte do órgão ambiental federal e cumprindo suas obrigações para com a legislação ambiental brasileira, que internalizou as diretrizes do citado protocolo.

Fonte: Ibama

PRR5 consegue condenação de empresa de carcinicultura por crime ambiental



O Ministério Público Federal (MPF) conseguiu reverter, no Tribunal Regional Federal da 5.ª Região (TRF5), a sentença da 2.ª Vara da Justiça Federal na Paraíba, que, ao julgar a ação penal por dano ambiental ajuizada pelo MPF naquele estado, absolvera a Destilaria Miriri S.A. (antiga Destilaria Jacuípe S.A.) do crime previsto no artigo 40 da Lei n.º 9.605/98.

A empresa havia instalado viveiros destinados à carcinicultura –  criação de camarões –  numa área de 63,8 hectares de mangue, localizada em estuário do Rio Mamanguape, no interior de Área de Preservação Ambiental da Barra do Rio Mamanguape, na Paraíba. A obra, potencialmente poluidora, foi feita sem licença ou autorização do órgão ambiental competente.

A Primeira Turma do TRF5 condenou a Destilaria Miriri a recuperar a área de mangue e pagar uma multa no valor de R$ 500 mil. Os proprietários da empresa também foram condenados e receberam pena de dois anos e seis meses de reclusão, substituída por prestação de serviços à comunidade e fornecimento de cinco cestas básicas por semana, durante esse período, a colônias de pescadores da região de Rio Tinto.

O procurador regional da República Fábio George Cruz da Nóbrega representou o MPF na sessão de julgamento e apresentou parecer oral em que pediu a condenação da empresa e de seus dirigentes, de acordo com o recurso do MPF na Paraíba. Segundo ele, o simples fato de fazer funcionar o empreendimento sem a licença ambiental já configura crime que, nesse caso, estava prescrito, conforme já havia sido reconhecido pela Justiça Federal em primeira instância. Porém, o tribunal reconheceu que houve também o crime de dano ambiental, previsto no artigo 40 da Lei 9.605/98.

A Constituição Federal prevê a possibilidade de condenação criminal de pessoa jurídica em apenas duas hipóteses: crimes contra o sistema econômico e financeiro – que ainda aguarda regulamentação – e crime ambiental – previsto na Lei 9.605/98. Para o MPF, o reconhecimento da responsabilidade criminal da Destilaria Miriri, nesse caso, foi de grande importância, pois a empresa instalou os tanques de carcinicultura, sem licença ambiental, em uma área de mangue, provocando um impacto ambiental gravíssimo.

O manguezal é um ecossistema habitado por diversas espécies aquáticas e terrestres e considerado pela legislação brasileira como área de preservação permanente. O MPF tem movido ações em vários estados da Região Nordeste para proteger o meio ambiente de atividades poluidoras – como a carcinicultura – desenvolvidas em áreas de mangue.

N.º do processo no TRF-5: 2005.82.00.009033-1 (ACR 8431 PB)

A divulgação desta notícia não substitui a comunicação oficial deste ato pelo órgão responsável.

A Procuradoria Regional da República da 5.ª Região (PRR-5) é a unidade do Ministério Público Federal que atua perante o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região (TRF-5), a segunda instância do Poder Judiciário Federal para os estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Fonte: MPF

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Os materiais da "arquitetura vegetariana"



Simón Veléz, arquiteto colombiano, é um especialista em construir obras de grande porte com bambu. Com projetos em mais de 10 países, ele utiliza o chamado “aço vegetal” para erguer teatros, pontes, igrejas e até terminais rodoviários, que se distinguem pela aparência de leveza das suas estruturas.

Na sabedoria do Oriente, o bambu é tido como um material que acalma quando usado para revestir interiores. Por qualidades como estas, Veléz defende sua inclusão como um recurso que, brinca, pode levar a uma "dieta mais balanceada" no menu de materiais arquitetônicos.

Durante o Encontro de BioArquitetura (EBA 2012), realizado entre 8 e 10 de novembro em Nova Friburgo, ele discorreu sobre as técnicas que utiliza e que o tornaram uma referência no assunto. Em seguida, os Xavantes presentes mostraram como se constrói uma oca.

Técnica sem improviso

O uso do bambu pode soar como uma prática artesanal, mas, ao contrário, trata-se de refinada técnica. Veléz é meticuloso e trabalha em parceria com engenheiros para garantir a robustez dos seus projetos.

No Expo Shangai 2010, ele projetou e construiu o pavilhão da Índia, uma metáfora do mercado e do templo, o último coberto por um grande domo, claro, todo construído de bambu. Para aguentar estruturas com pesos de até 250 kg por m2, como foi o caso desse projeto, o segredo de Veléz é injetar cimento diluído com água, dentro dos colmos (nome dado aos segmentos ocos do caule do bambu) antes das perfurações com parafusos. Dessa forma, evitam-se rupturas de conexões, sem diminuir a flexibilidade do material.

Outra peculiaridade é utilizar os rizomas do bambu - parte mais forte da planta e geralmente encurvada - para obter “figuras primitivas” no acabamento de tetos e paredes. Veléz trabalhou essa solução em sedes de fazendas, casas particulares e lobbys de hotéis.

Para afastar os fungos que levariam à decadência das estruturas,  sua equipe aplica injeções de cipermetrina, um inseticida biodegradável, nos entrenós das centenas ou até milhares de ripas utilizadas. Para impedir a transmissão da humidade do solo, a ponta dessas ripas é isolada por suportes de aço inox. O contato com a terra reduziria a vida útil do bambu.

Além do visual orgânico, suas obras evitam materiais não renováveis.  O bambu cresce rápido e, por isso, é fácil de repor. Essa velocidade o transforma em um bom sequestrador de carbono da atmosfera. Há espécies de bambu que crescem em média 23 centímetros por dia.

Durante a conferência, Veléz disse: “Incentivo uma dose mais vegetariana a essa arquitetura mineral que apenas usa cimento, aço, vidro e ladrilho. É como na culinária, que se vêm incentivando o consumo de mais proteína vegetal, em vez da animal".

Oficina de Oca

No último dia do Encontro de BioArquitetura, no município de Bom Jardim, 4 índios Xavantes se uniram a monitores do Tibá (Centro de Tecnologia Intuitiva e BioConstrução) para construir uma oca.

Peter van Lengen, curador do evento, explicou aos cerca de 50 participantes que houve uma mistura de métodos na preparação do protótipo. “Fizemos uma fundação de pedras, técnica típica de 'não-índios', para reforçar a base da casa e impedir que o revestimento entre em contato com a umidade do chão, garantindo durabilidade.”

As paredes da oca foram feitas de pau-a-pique de bambu, amarrado com fibras internas do caule de árvores, cobertas com uma inusitada mistura de terra, água e esterco de equinos.

Lengen explicou que os 25% de esterco contidos no material das paredes produz uma reação química com a argila da terra, transformando-se em um concreto natural bastante resistente à erosão.

Arquitetura ritual

O formato circular adotado na construção foi uma referência à cultura indígena. Um dos Xavantes explicou que em suas aldeias as ocas também estão dispostas em círculo, de forma que o espaço entre elas se torne um local de encontros e comemorações.

No centro da oca, um tronco de pau-canela fez o papel de coluna estrutural. A distância dali até as paredes foi medida da maneira mais simples e funcional: igual ao comprimento de uma rede de dormir.

A forragem do teto com fardos de folhas de palmeira foi uma novidade que os índios apresentaram aos “Tibanos” – como são chamados os aprendizes do centro. Segundo Lengen, funcionou como inversor térmico, mantendo o ambiente mais fresco em dias quentes. “O que fizemos aqui foi um brinquedo. Com mais tempo e material poderíamos fazer uma ótima casa ou restaurante”, disse.

Reconstrução

Thiago Mello, diretor do Instituto Serrano de Economia Criativa (ISEC), um dos parceiros do evento, acredita que casas bioconstruídas seriam soluções mais inteligentes para pessoas desalojadas pela enxurrada de 2011, ocorrida em Nova Friburgo. “Fomos vítimas da maior catástrofe natural do Brasil e podemos nos tornar paradigmáticos reconstruindo áreas da cidade segundo princípios da permacultura, que são conscientes ecologicamente e estimulam princípios de economia localizada.”

Mello conta que o ISEC fez um acordo com o Sindicato de Construtores de Nova Friburgo (Sinduscon) para promover à diminuição de resíduos, através da capacitação dos construtores, e, também, para ajudá-los a obter certificações ambientais para as novas construções. “Empreiteiros da cidade estão assistindo as palestras. Fomentar a assimilação desses novos conceitos é um resultado positivo desse encontro”.

Apesar dos esforços, Mello declara que a resistência a mudanças pode estar próxima: “Estou em vias de construir minha casa e abraço essas propostas, já minha esposa, nem tanto”.


Fonte: Oeco